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O "amor romântico" e a fase da adolescência, a fase menos inteligente das nossas vidas :)

Domingo, 02.09.18

 

 

Hoje de manhã acompanhei o programa "O Amor é" onde se falou no "amor romântico" e em "românticos incuráveis" :)

Com a idade aprendi a ver o amor para além de todos os romantismos e ciúmes. Como uma espécie de afinidade e cumplicidade luminosa e primordial. E ao aprender a ver assim o amor, percebi que essa visão do amor me era já familiar.

O problema que nos acontece na vida é a adolescência, essa fase de transformação que nos torna "românticos" :) Até aí somos praticamente controlados pela razão. O que nos motiva é a descoberta do mundo e das pessoas, mas não nos fixamos numa particularmente e de forma obsessiva :)

Este descontrole só passa com a idade e a experiência. Em vez de idealizarmos o outro, vêmo-lo como ele é. E o que ele é, é muito melhor do que a nossa idealização ("romantismo"). A fantasia dá lugar à verdade.

 

O amor e a verdade é muito mais forte do que o amor que necessita de fantasiar. Nunca se apaga, mantém a claridade e o calor.

Em vez de ciúme (outro tema abordado no programa), quem ama fica apenas triste, por respeitar o outro. Ninguém tem o direito de limitar alguém, de o travar no seu percurso, de o diminuir. Pelo menos, no amor como o vejo hoje, e como, muito provavelmente, terei visto antes de me passar por cima a fase adolescente, isto é, a fase menos inteligente das nossas vidas :)

A tristeza de ver alguém partir mistura-se estranhamente com a esperança de ambos sermos felizes à nossa maneira. Pode parecer demasiado frio e distante, mas é a melhor forma de amar.

 

E um dia "fazemos o ninho" noutro lugar, talvez noutra latitude, talvez de uma forma totalmente nova para nós.

Na verdade, a nossa felicidade e bem-estar não devem depender da companhia do outro, mas da confiança de viver de forma consciente e equilibrada.

 

E é por tudo isto que nunca conseguirei escrever um best-seller sobre o amor :)  

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:08

Aproximação partidos políticos - sociedade civil: alguns equívocos culturais

Sexta-feira, 26.04.13

 

O dia de ontem ainda nos traria mais uma surpresa e igualmente no programa Política Mesmo da tvi 24: uma entrevista de Paulo de Magalhães a uma das figuras conhecidas na segunda fase do anterior governo PS: João Tiago Silveira. Lembram-se dele? Um rosto redondo de menino de coro que ficava sempre a sorrir por detrás dos protagonistas? Aquele que serviu de nova imagem do anterior governo PS e que vinha apresentar as novas medidas? 

Pois bem, parece que o entrevistado entregou uma carta ao Presidente do partido, juntamente com um grupo de outros militantes, com uma proposta de aproximação do partido à sociedade civil, para fazer pontes e abrir o partido à participação e colaboração dos cidadãos-eleitores.

Parece que esta proposta ainda não foi aceite para apresentar neste Congresso e compreende-se porquê:

 

Esta não é uma proposta credível de abertura à participação e colaboração da sociedade civil, porque se preocupa essencialmente com a abertura à participação dos cidadãos em eleições de candidatos à liderança do partido, assim como à possibilidade de votar em propostas e de apresentar petições em congressos.

Surge-nos assim de novo a marca registada do marketing político do anterior governo PS, o tal das propostas fracturantes (o entrevistado vai desfiando o seu rosário), a marca de uma cultura populista, que vive à volta da figura do líder, da imagem, da fama, do herói.

Esta marca registada revela-se própria de uma sociedade de espectáculo, da trash culture, do circo político: telemóveis em riste, marque o nº 70721 se quer o candidato A, marque o nº 70722 se quer o candidato B, tal como os Ídolos.

Esta proposta é muito à frente no séc. XXI, muitos filmes de ficção científica já anteciparam este circo global, a confusão geral onde ninguém se responsabiliza por nada nem ninguém pode ser responsabilizado. É eleito o mais popular, mesmo que pelas piores razões.

Onde está o espaço da reflexão?, da avaliação do perfil dos candidatos?, dos valores defendidos pelo partido?, do compromisso?, da verdade?, da qualidade e viabilidade das propostas?

 

O entrevistado só acertou na constatação da realidade actual: há realmente um fosso crescente entre os políticos e o eleitorado, entre o sistema partidário e a sociedade civil. Só que se esqueceu de dizer que a responsabilidade desse afastamento é dos partidos políticos, da sua actuação, do comportamento dos seus responsáveis e restantes elementos, da degradação a que chegaram, ética, moral e cívica, da governação política incompetente e da gestão ruinosa.

De facto, vemos a decadência dos partidos, como estão descredibilizados, desactualizados e obsoletos.

A frescura, a vitalidade e a criatividade estão do lado da sociedade civil.

 

Mas voltemos à proposta:

Se o entrevistado lesse uns livros de história política ficaria esclarecido e veria que essa aproximação à sociedade civil depende do partido arrumar a casa primeiro, como passo a explicar:

Partido = partido, subdividido em subgrupos, incoerências internas, indefinição do projecto, competição pelos lugares;

Arrumar a casa =  debater e reflectir, avaliar os erros cometidos, assumir as suas responsabilidades, mudar de estratégia. (Arrumar a casa não é varrer para debaixo do tapete como foi feito naqueles 4 meses providenciais entre o abandono de Guterres e o catapultar do ex-PM-actual-comentador-político.)

 

Mas o que é que os cidadãos vêem acontecer? Passar uma esponja sobre o passado e virar todas as munições contra os adversários, os outros partidos e as instituições do sistema.

 

 

Uma aproximação partidos políticos - sociedade civil implica uma alteração cultural profunda dos políticos, do seu comportamento, da lei eleitoral, da representatividade dos deputados na AR, da responsabilização dos gestores políticos por erros cometidos (competência), pela gestão danosa de dinheiros públicos (justiça). A confiança depende da verdade, da informação correcta e actualizada, da participação cívica diária.

 

Portanto, antes de se abrir à participação e colaboração da sociedade civil, o partido A ou B deve primeiro definir-se:

- a sua identidade, a sua cultura, os seus valores e princípios, o seu centro, a sua bússula, o que permanece intacto apesar das mudanças conjunturais;

- essa identidade (o essencial) deve ser coerente e consistente, e percebida, aceite e interiorizada pelos gestores políticos e pelas suas bases;

- essa identidade (o essencial) é a carta de apresentação à sociedade civil, no logotipo, no site, no discurso e na intervenção pública;

- o comportamento dos seus elementos deve respeitar essa identidade essencial (coerência e consistência) e ser um exemplo cívico (credibilidade).

 

A seguir vem o projecto conjuntural, a estratégia, que deve ser adequada à realidade, além de inteligente, viável e criativa.

A estratégia deve considerar prioridades bem definidas e o teste prévio da eficácia da intervenção proposta (o que implica ter bases de sustentação, apoios internacionais, fazer o trabalho de casa).

Na interacção com os outros partidos e com todos os responsáveis políticos, sociais, financeiros e económicos, deve revelar abertura e receptividade à negociação sempre que existir uma proposta concreta. E fazer a promoção das suas propostas, com entusiasmo e convicção, resistindo a opiniões e comentários críticos e/ou provocadores. O que interessa são as propostas, viabilizá-las. É isso que ficará registado na história, os resultados, o que funciona.

 

Ganhar a confiança dos cidadãos é um processo que exige muito trabalho diário e muita paciência, ir juntando pontos de credibilização até começar a ser percebido pela sociedade civil como grupo e como equipa consistente e credível.

Estes pontos ou créditos de confiança implicam uma informação correcta da realidade (verdade) e um comportamento coerente e consequente (o exemplo cívico).

 

Como vimos, são os partidos que terão primeiro de fazer o trabalho de casa. Quando forem percebidos como credíveis, a aproximação da sociedade civil, a participação cívica e a colaboração cívica, far-se-á naturalmente.

 

Hoje, com a comunicação facilitada e quase universalizada, os cidadãos já podem dar ideias e propor mudanças nos sites dos diversos partidos. É só enviar um e-mail ou fazer um comentário. Mas terá de haver espaço para um debate sério, não para o ruído da confusão geral e populista.

 

 

 

Nota: Gostava de, um dia destes, analisar os movimentos cívicos e como se estão a tornar cada vez mais activos e eficazes. 

Alguns já tentaram constituir-se como partidos políticos, entrando no sistema partidário e eleitoral. Resultados? Vantagens?

Para já, enquanto se mantiverem os equívocos culturais actuais, a lei eleitoral, o nº excessivo de deputados, a sua distância relativamente a quem os elege (representatividade), vejo como pouco vantajosa essa formalização.

 

 

Nota de esclarecimento a 2 de Junho de 2014: Muita coisa se passou neste país neste último ano. A nossa democracia foi-se fragilizando com o governo-troika e, com a opção presidencial por um apoio incondicional ao governo-troika, hoje já não se pode falar de um equilíbrio de poderes porque está tudo desequilibrado, e sempre que o tribunal constitucional dá pareceres é logo chantageado, e isto em cima de cidadãos mssacrados com impostos e cortes, despedimentos, ausência de perspectivas futuras.

Já não se ouve falar de um provedor de justiça, a figura desapareceu?, nem da procuradoria-geral da República, nem propriamente de Justiça. Talvez por isso os rsultados das eleições europeias tenham vindo abanar o status quo, de tal modo que surgiram dois novos factos políticos: o MPT com Marinho Pinto capitalizou votos de descontentes e desanimados, e no PS deu-se a invasão socrática, apoiada pelos media e com a expectativa tácita dos que defendem um consenso nacional, um bloco central digamos, o balão de oxigénio do sistema.

É neste novo contexto da existência de um desequilíbrio de poderes e da tentativa do sistema se proteger de uma nova configuração da AR nas próximas legislativas, blindando-se num bloco central, que procurei analisar de novo a proposta de primárias abertas para escolher o candidato a líder do partido, apresentado por Tiago Silveira e que, neste post, considerei populista, a não ser que se procedesse a uma revisão da actual lei eleitoral. Pois bem, o assalto ao poder do Presidente da Câmara de Lisboa baseia-se na pretensão de conseguir mais votos para o PS do que os obtidos por Seguro nas eleições europeias. Não se trata de debater um projecto que faça frente ao novo rumo com o qual parecia estar de acordo, não, é apenas uma questão de popularidade. Sendo assim, a única forma de provar que sim, está melhor colocado para obter mais votos, é em primárias abertas.

Esta invasão socrática acabou por despertar de novo, numa parte do PS, esta aproximação aos cidadãos. É esta a parte positiva, a meu ver, a possibilidade de liderarem uma revisão eleitoral que torne a AR mais representativa. E a proposta foi mais longe: a redução a 180 deputados. Se esta linha regeneradora do PS for a vencedora nas primárias, o PS será o partido tradicional a revelar mais vitalidade e criatividade.

Claro que a democracia incomoda muita gente, a possibilidade inovadora dos cidadãos participarem na vida colectiva, isto é, uma democracia mais representativa e participativa é uma amaeaça para as elites no poder há décadas, o rotativismo garantido, o controle da máquina estatal e da administração pública, das empresas públicas e público-privadas, as fundações, as decisões opacas, a alienação de recursos estratégicos, as promessas à troika. Prevêem-se portanto muitas reacções, com o apoio dos media, sobretudo nos canais televisivos, onde estão os políticos comentadores estrategicamente colocados para a propaganda semanal.

Este episódio no PS exemplifica o estado actual da nossa democracia. Podemos mesmo dizer que se trata de uma autêntica "luta de classes", uma jornalista que entrevistou Seguro até insistia que do lado do seu adversário estavam muitos "notáveis" A resposta foi certeira: a democracia é fantástica, uma pessoa um voto.  

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:03

Volto a esse rio neste Natal...

Sábado, 15.12.12

 

A minha aventura blogosférica iniciou-se a navegar num rio sem regresso. O cinema como metáfora da vida. Porque o importante é a vida, o importante são as pessoas.

 

Nesta época do Natal, que sempre senti como a época dos afectos, vou dedicar-me nesse rio aos valores humanos fundamentais. Os valores humanos combinam muito bem com o Natal, a época em que nos reencontramos com a nossa própria infância, mesmo que através dos filhos, sobrinhos, netos.

 

Comecei com a liberdade, aqui ligada à justiça e à verdade mas, de certo modo, todos os valores humanos têm origem numa mesma base: o amor, a fraternidade, a empatia. Vermos no outro um outro eu, colocarmo-nos no seu lugar, vermos a sua perspectiva, sentirmos a sua aflição como nossa. 

É verdade que nem todos têm esta capacidade. É próprio dos psicopatas, por exemplo, não sentirem culpabilidade pelo mal que infligem a outros. É a linguagem do poder.

 

Aqui vai hoje este filme, Mr. Smith Goes to Washington, que coloquei pela segunda vez a navegar neste rio.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 23:12

Antes vivos uma hora, do que a dormir uma vida inteira

Sábado, 12.02.11

 

 

Olho para trás e já não te vejo

Quem eu vejo é um reflexo criado por mim

 

O caminho está deserto de novo

mas não de uma forma desagradável

O sol ilumina tudo como numa paisagem irreal

 

Vejo pela primeira vez as marcas dos meus passos

e estranho a sua terrível consistência

Sempre gostei de insistir nos mesmos erros

 

Acordei de um sono longo

e já não poderia respirar nessa ficção


Estes são os efeitos secundários da verdade

uma vez vislumbrada, nada a poderá substituir

Antes vivos uma hora, do que a dormir uma vida inteira

 

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:28

O tempo da voracidade boçal

Quinta-feira, 09.09.10

 

Este é o tempo da voracidade boçal

Deixemo-lo passar por nós

como vento que tudo seca

 

A voracidade boçal baseia-se

na inveja e no ódio

apropria-se de forma ilegítima

de tudo o que não lhe pertence

pode destruir o corpo, o habitat, o espaço-tempo

o que lhe acalma temporariamente a inveja

mas nunca poderá apropriar-se da alma

o que lhe atiçará ainda mais o ódio

 

Uma alma livre

não pode ser aprisionada

pois nem sequer é acessível à voracidade boçal

são duas dimensões distintas

em nada coincidem

em nada correspondem

 

Deixemo-lo passar, ao tempo da voracidade boçal

como vento que tudo seca

deixemo-lo passar por nós, desfazer-se no horizonte cinzento

terminar nalguma ilha longínqua

pois nem para os seus próximos

nem para os que se lhes seguem

será frutuosa

A voracidade boçal apenas destrói

nada fica da sua laboriosa apropriação ilegítima

 

Outro tempo virá

mais tranquilo, de uma nova claridade

mas antes

teremos de aprender a olhar para a nossa própria alma

sem contemplações

só então poderemos construir

a partir das ruínas


 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:34

A cultura democrática

Quinta-feira, 20.05.10

 

Foi ao lembrar uma das minhas lines preferidas de filmes, Na minha vida não há lugar para a mentira (Michelle Pfeiffer), n' A Casa da Rússia, que me surgiu esta ideia: o papel da verdade na cultura democrática. No filme, diversas personagens vêem-se envolvidas na lógica das corporações, da política, da espionagem. É-lhes subtraída a possibilidade de respirar à vontade e de simplesmente viver as suas vidas de forma tranquila. É-lhes por pouco subtraído o direito de viver, como aconteceu ao cientista amigo da nossa heroína. Sean Connery dirá que foi a sua escolha mais fácil, optar por salvar a vida da amada e da família, agiu segundo a sua bússula interior e saltou fora da lógica corporativa que não lhes dizia respeito.

 

Estamos numa fase em que ainda é possível saltar fora da lógica corporativa e escolher a cultura democrática. Mas tal não se verificará por muito tempo, porque o sistema tem formas de se defender e de se perpetuar. As vidas simples das pessoas comuns são-lhe indiferentes. Por isso não lhes dizem a verdade. Mas quem opta por lhes dizer a verdade, ganha confiança e credibilidade, assim como ganham as pessoas comuns. A cultura democrática é a civilização do amor de que fala o Papa Bento XVI. A cultura corporativa é uma nova barbárie, sem alma nem coração, sem vida lá dentro, só destruição, é a lei do mais forte contra o mais fraco.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 14:02

...

Quarta-feira, 15.07.09

 

 

Planícies intermináveis

ausência de sombras

o sol a invadir tudo

pedras, pele, alma

 

Viagem sem tréguas

a única que nos inspirou

 

Agora olhamos para trás

para essa sombra amiga

acena-nos de mansinho

muito de mansinho

 

Tempo de voltar a casa

a única que nos conheceu realmente

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:36

Do Baú:

Terça-feira, 28.04.09

 

 

Tenho medo desse sol que me cega

que torna brancas e nuas todas as coisas

 

 

 


 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 23:50








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